segunda-feira, 4 de abril de 2011

"O HOMEM QUE CHOVIA"


Ontem, domingão, fui assistir uma peça teatral de uma companhia que meu amigo participa.
A peça se chamava "O homem que Chovia*" que relatava a triste trajetória de um jovem que vivia numa terra árida, onde não existia chuva e ele descobre ter o dom de fazer chover. A partir daí, ele resolve levar sua água cristalina para todo o povo...
Infelizmente, ele é mal interpretado e consequentemente, não aceito pela sociedade.
Me deliciei com alguns momentos da peça e principalmente, com a doçura e inocência que este personagem lidava com o Dom que havia recebido e de querer compartilhar com todos que tinham sede...
Penso que ele tinha em mãos o amor e a condição encantadora de levar aos seus irmãos aquilo que havia recebido.
Mas as pessoas não o entenderam, o quiseram comprar, negociar o que ele possuía e quando ele viu a realidade do mundo e a crueldade nos olhos das pessoas, ele se decepcionou com a brutalidade que aquelas criaturas entendiam o amor...
Me lembra muito todos os grandes homens que passaram por nossa história tentando ensinar e doar amor.
Jesus foi o que mais veio a minha mente...
Louvado por uns e desprezado por outros.
E vejo hoje, o quanto é difícil o amor puro brotar em nossos corações!
Esse amor que não conhecemos, sempre será perseguido, desejado tão ao extremo que nós o destruiremos antes mesmo de tocá-lo!
Pobres de nós... tão desejosos de amor!
Quando nos deparamos com a gota cristalina dele em nossos dias de terras áridas, com a garganta seca de sentimentos, ficamos tão desesperados que chegamos a esmagá-lo antes mesmo de conhecê-lo em sua mais pura essência.
O que está havendo conosco, seres humanos?
Quando foi que começou tudo isso? Quando foi que permitimos que a ganância, o poder, o orgulho e a vaidade fosse mais forte que o amor?
Hoje tão escasso...
Por isso sufocamos nossos filhos, nossos amigos, nossos companheiros, por que ansiamos por aquele amor e queremos agarrá-lo a todo custo e de forma tão desesperada que o estrangulamos e o matamos.
Conseguimos destruir o amor que existia nas pessoas, em nós mesmos, por essa busca alienada que insiste a nos descontrolar.
Mais uma vez... pobres de nós!
Enquanto os dias passam, nessa busca sem limites, buscamos dessa água em lugares errados, pessoas erradas, situações erradas.
Tudo isso, simplesmente, porque ainda não aprendemos a amar.
E no dia que aprendermos, quem sabe, não teremos mais sede!
E numa dessas, se formos merecedores, talvez há de aparecer em nossas vidas, em nosso mundo tão árido, um "Homem que Faça Chover"...


* Teatro Musical: O Homem que Chovia
Cia Caixa de Fósforos
Direção de Jair Raso
Atores: André Jaued (meu amigo!! rs..) Thiago Pagani, Wellington Braga, Adriano Gilbert, Harley Winter, Cássia Juliana, Fabiane Aguiar e Adriano Alves.

3 comentários:

  1. Lindo comentário Cris, a história realmente é muito sensível e resgata tudo isso que vc sabiamente escreveu.
    Me emocionei muito também!
    Karina

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  2. Adriano Gilberti6 de abril de 2011 14:35

    É muito gratificante saber que o meu texto teve o desdobramento de tão belo comentário.
    Faz valer a pena. Acreditar na arte e saber que alguém refletiu positivamente o espetáculo.
    Obrigado por sua sensibilidade.
    Adriano Gilberti

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  3. Eu que agradeço Adriano, por vc usar da arte para passar uma mensagem positiva.
    Mesmo que nem todas as pessoas reflitam sobre, o que vale é a sementinha que já foi plantada e quem sabe um dia, germine!

    Espero que tenhamos mais riquezas como essas para apreciar e refletir!

    Abraço imenso!

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