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segunda-feira, 8 de agosto de 2011

RANCOR (Que sentimento chato!)



_ Você é uma pessoa muito rancorosa, minha filha!
Foi o que eu ouvi minha mãe me dizer certa vez.

_ Rancorosa?? Eu??? Quê isso? Nunca!!!
Caí na defesa.

Mas ela estava certa.
Mãe conhece bem seus filhos.
Eu sou assim.
Antigamente eu era pior, devo admitir.
Hoje, algumas coisas até deixo passar batido e acabo por não me importar.
Mas outras, ainda me incomodam.
E logo sinto uma carcaça grossa cobrir meu coração e o desgosto chegar aqui, bem pertinho, sentando coladinho ao meu lado.

Tenho uma maneira drástica de resolver algumas coisas (não quer dizer que isso seja certo, viu? Normalmente não é.) Eu, quando ofendida, magoada ou duramente contrariada, costumo usar uma caneta enorme, uma foto gigante do indivíduo e me satisfaço, sentindo o maior prazer, em fazer um "X" na cara do coitado (ou da coitada!).
Simplesmente deleto. Ignoro. Arranco violentamente da minha vida, como se nunca tivessem existido.

Só que, quando eu sento pra pensar, para refletir sobre meu comportamento e minhas atitudes, eu me entrego à razão e vejo que a "coitada" sou eu. Nenhum deles. Sou eu.
Eu, que tolamente, imaturamente, insisto em guardar o rancor em meu coração. Aquele sentimento pesado, sombrio que vem acompanhado da mágoa, da tristeza, da raiva e do desconforto.
No fim, perante a pouca importância dos outros que julguei "coitados", percebo que somente eu me importei tanto nessa história a ponto de me esforçar para esquecer e deletar da minha vida.
Sempre me pareceu a melhor saída, mas não é não. Me entendam.
É fácil porque no momento da raiva você acha que é o melhor a fazer, mas não é.
É como se sempre tivesse algo que você não resolveu na sua vida.
Quando as pessoas estão bem e, automaticamente, elas vão saindo da sua vida, não resta muito a não ser uma saudade ou um carinho distante.
Mas quando você as retira violentamente, sempre haverá uma pendência. Sempre.
Achamos que não, que está tudo bem... mas não está nada!
Quando você acorda, lá está o pesadelo em forma de mágoa, de rancor...!

Quero me livrar disso, minha gente!
Mas não sei como...
Acho até que... fugi dessa aula! rs..

Não sei se foi Shakespeare ou se foi Einstein que disse que guardar ressentimento é como beber veneno e esperar que a outra pessoa morra.

Lóóógicoo!!

Porque no final dessa história toda, o único prejudicado serei eu mesmo. Mais ninguém. Como disse antes, só haverá um "coitado", aquele que não soube passar por cima, que não soube perdoar e muito menos esquecer.

É, minha mãe tem razão.
E acho que desse mal ela não deve morrer, já que seus aborrecimentos duram uma fração de segundos.
Ah, como eu queria ser assim!

Mas meus caros leitores, escutem essa: Eu ainda chego lá.
Vamos juntos? (risos)


sábado, 25 de junho de 2011

COMO PERDOAR?



"Márcio cobriu os olhos com as mãos, respirava rapidamente, estava confuso demais.

_ Como perdoar? Como perdoar? Como? _ perguntava.
_ Perdoando, meu amigo. Perdoando como somos perdoados por milhares de vezes por nosso Senhor, que nos vê e que sabe de nossos erros. Ele nos perdoa sempre e repetidas vezes, nos dá a oportunidade de começarmos vidas novas. Dá-nos oportunidades de consertarmos tudo de errado que cometemos ao longo dos anos e dos séculos... Pense! Quantas vezes não teremos nós pecado contra tudo e contra todos? Quantas vezes não teremos matado, ofendido, magoado, traído e apesar disso, recebemos de Deus a chance de consertarmos nossos erros? Por que então nós, tão pequenos diante Dele, não podemos perdoar a um nosso irmão que errou?
"Se ele sempre nos perdoa, porque não perdoarmos também? Convém agora a nós, seres imperfeitos, condenarmos? Não, meus amigos! Cabe a nós, perdoarmos e oferecermos nossas mãos àquele que sofre. É o que quero que entendam. Saibam perdoar esta moça, para que nunca guardemos no coração o arrependimento de termos falhado."

"Para que nunca guardemos no coração o arrependimento de termos falhado..."

Esse é o trecho de um dos romances que escrevi há um tempo. Este, atualmente, se encontra em uma editora ainda passando pelo longo processo de avaliação. Um grande sonho meu.
Mas a trama que envolve os personagens é de tão grande expressão, que em diversos momentos eles se vêem diante da palavra "Perdão".

Como perdoar? Eis a pergunta.
Perdoando. Eis a resposta.
Como esquecer?
Esquecendo.
Como perdoar aquele que tão gravemente nos feriu, que arruinou nossa vida, que nos fez chorar, que nos traiu?
Como perdoar? Você deve se perguntar.

É verdade que não é fácil, como nada é fácil nessa nossa jornada.
Mas, se cada vez que alguém nos ferir, guardarmos no peito o peso do rancor e a certeza de que jamais perdoaremos, acredite que, em pouquíssimo tempo, nos tornaremos uma criatura amarga, cruel, infeliz e sem alma.
Como perdoar? Você ainda assim se pergunta.

Tenha calma.
Saiba que as pessoas são imperfeitas, que elas erram, que são egoístas e que maltratam e abandonam. Mas lembre-se que você também é imperfeito, que também erra, também é egoísta e que provavelmente já maltratou e abandonou mesmo sem perceber.
Viva a sua vida da melhor forma que puder. Arranque do coração todo e qualquer sentimento ruim de mágoa ou rancor. São como ervas daninhas crescendo sobre seu coração e tornando sua vida mais triste.

Não digo nunca que tudo isso seja tranquilo de se fazer, porque pra mim também é difícil. Mas eu sei, que hoje me considero uma pessoa melhor por não sentir ódio, nem mágoa de ninguém.

Resposta a pergunta: Como perdoar?

"Perdoando como somos perdoados por milhares de vezes por nosso Senhor, que nos vê e que sabe de nossos erros. Ele nos perdoa sempre e repetidas vezes, nos dá a oportunidade de começarmos vidas novas."
(Trecho do romance escrito por mim: Alma em Pedaços)