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sábado, 25 de junho de 2011

COMO PERDOAR?



"Márcio cobriu os olhos com as mãos, respirava rapidamente, estava confuso demais.

_ Como perdoar? Como perdoar? Como? _ perguntava.
_ Perdoando, meu amigo. Perdoando como somos perdoados por milhares de vezes por nosso Senhor, que nos vê e que sabe de nossos erros. Ele nos perdoa sempre e repetidas vezes, nos dá a oportunidade de começarmos vidas novas. Dá-nos oportunidades de consertarmos tudo de errado que cometemos ao longo dos anos e dos séculos... Pense! Quantas vezes não teremos nós pecado contra tudo e contra todos? Quantas vezes não teremos matado, ofendido, magoado, traído e apesar disso, recebemos de Deus a chance de consertarmos nossos erros? Por que então nós, tão pequenos diante Dele, não podemos perdoar a um nosso irmão que errou?
"Se ele sempre nos perdoa, porque não perdoarmos também? Convém agora a nós, seres imperfeitos, condenarmos? Não, meus amigos! Cabe a nós, perdoarmos e oferecermos nossas mãos àquele que sofre. É o que quero que entendam. Saibam perdoar esta moça, para que nunca guardemos no coração o arrependimento de termos falhado."

"Para que nunca guardemos no coração o arrependimento de termos falhado..."

Esse é o trecho de um dos romances que escrevi há um tempo. Este, atualmente, se encontra em uma editora ainda passando pelo longo processo de avaliação. Um grande sonho meu.
Mas a trama que envolve os personagens é de tão grande expressão, que em diversos momentos eles se vêem diante da palavra "Perdão".

Como perdoar? Eis a pergunta.
Perdoando. Eis a resposta.
Como esquecer?
Esquecendo.
Como perdoar aquele que tão gravemente nos feriu, que arruinou nossa vida, que nos fez chorar, que nos traiu?
Como perdoar? Você deve se perguntar.

É verdade que não é fácil, como nada é fácil nessa nossa jornada.
Mas, se cada vez que alguém nos ferir, guardarmos no peito o peso do rancor e a certeza de que jamais perdoaremos, acredite que, em pouquíssimo tempo, nos tornaremos uma criatura amarga, cruel, infeliz e sem alma.
Como perdoar? Você ainda assim se pergunta.

Tenha calma.
Saiba que as pessoas são imperfeitas, que elas erram, que são egoístas e que maltratam e abandonam. Mas lembre-se que você também é imperfeito, que também erra, também é egoísta e que provavelmente já maltratou e abandonou mesmo sem perceber.
Viva a sua vida da melhor forma que puder. Arranque do coração todo e qualquer sentimento ruim de mágoa ou rancor. São como ervas daninhas crescendo sobre seu coração e tornando sua vida mais triste.

Não digo nunca que tudo isso seja tranquilo de se fazer, porque pra mim também é difícil. Mas eu sei, que hoje me considero uma pessoa melhor por não sentir ódio, nem mágoa de ninguém.

Resposta a pergunta: Como perdoar?

"Perdoando como somos perdoados por milhares de vezes por nosso Senhor, que nos vê e que sabe de nossos erros. Ele nos perdoa sempre e repetidas vezes, nos dá a oportunidade de começarmos vidas novas."
(Trecho do romance escrito por mim: Alma em Pedaços)

segunda-feira, 6 de junho de 2011

A ALEGRIA DE BRINCAR



Minha barriga doeu. Chegou a me faltar o ar. Mas foi por uma boa causa. Foi de tanto que ri brincando feito criança. Almoço em família, irmão veio para mostrar sua boa experiência na culinária, sobrinhos reunidos. São cinco. Os sobrinhos. Mas hoje estiveram aqui quatro deles, incluindo a caçulinha de dois anos.

Sempre me achei avulsa no meio de minha família. Diferente de tudo, dos costumes e da forma de pensar. Cheguei a pensar até que a senhora cegonha havia errado o endereço e me jogado na casa errada. Nos braços errados.
Mas acredito mesmo que Deus sabe o que faz e sabe exatamente em que família devemos nascer.
As diferenças, elas existem e sempre existirão por onde você for. Mas quando estou diante de meus irmãos e mãe, quando todos estão conversando ao redor de uma mesa, me pergunto às vezes o que faço entre eles. Mesmo que eu conte meus casos engraçados e que a gente sorria bastante de muitos deles, eu insisto em me fazer esta pergunta.

Mas meu corpo agora cansado deixou essas questões na gaveta e brincou de ser criança.
Correu, se escondeu, brincou de pegar, de peteca, de bola... Nossa! Esqueci a dificuldade que era brincar dessa forma. Esqueci que eu não tinha mais 15 anos ou sete (a faixa etária dos sobrinhos). E ainda pra completar, foi difícil suportar os quilinhos a mais sobre meus joelhos.
Foi bom ver meu irmão mais velho se divertir apesar de todo o estresse do dia a dia. Foi bom eu colocar os pés no chão, perder a força na hora da gargalhada e pisar em um espinho. Quanto tempo eu não fazia nada disso! O sedentarismo havia me consumido aos poucos e alegria de brincar há muito não era sentida por mim.

Nosso terreiro se coloriu. Foi uma das imagens mais lindas que pude ver esse ano. E inclusive, riscarei na minha lista “ver algo belo” porque nesse dia eu vi.
Vi o sol da tarde brilhar os cabelos juvenis, vi as cores das risadas e o som das vozes estreitas. Nunca o nosso quintal ficou tão bonito! O verde das plantas e das árvores em mistura com corpos pequeninos correndo pelo espaço. Lindo. Maravilhoso.

Diante de tudo que vi e que vivi neste dia, mesmo com o corpo doendo, mas de coração sorridente, vejo que realmente Eckhart Tolle tinha razão quando disse que devemos fotografar cada momento de nossas vidas e arquivar na memória de nossa alma. Esses momentos sim merecem ser memorizados. Não as guerras, a corrupção, a violência e a dor. Mas a alegria, a inocência, o amor.

Avulsa na família ou não, recebi dela a coisa mais linda da vida: a beleza do conviver.